Faltam poucas horas para eu embarcar para Recife. O último ensaio foi agora a noite e dali me brotaram algumas palavras.
O fato é que essa gravação de CD é a segunda em que vamos apenas eu e minha família. Desde que a Ana decidiu que somente nós quatro acompanharíamos o ministério, há pouco mais de um ano, tem sido assim. Quando ouvimos a notícia não foi fácil. Doeu como se um pedaço do nosso corpo fosse mutilado, e na realidade foi. Acatamos a direção, crendo que os planos de Deus nem sempre são os nossos e que nem sempre nos é dado a conhecer, mas continuamos servindo com grande alegria e paixão. E assim se passou rapidamente um ano.
Hoje, enquanto estávamos na sala de dança senti falta de cada um deles. Da empolgação com os figurinos, dos passos errados e certos, das correções, das brincadeiras, dos papos do intervalo. Esses detalhes, antes tão comuns, me fizeram uma falta enorme. E assim os preparativos chegaram ao fim e em poucas horas gravaremos.
O fato é que a vida é cheia de mudanças. As coisas se transformam sem nos pedir licença ou sem dar aviso prévio. Algumas mudanças trarão alegrias sem fim, outras dores. Algumas virão como se já fosse tarde, outras deixarão uma imensa saudade. Em alguns momentos será possível dizer não e manter a vida do jeito que ela está, em outros não será possível escolher. O fato é que não se pode negar que o mundo se movimenta e que cada decisão nos direciona a um caminho. A questão é: como lidar com as mudanças?
Sou adepta da seguinte teoria: sinta tudo o que for para sentir. Se viver uma situação triste, chore. Se viver uma feliz, gargalhe. Mas depois que o momento passar, saiba sacudir a poeira e seguir adiante. Veja os movimentos à sua frente e não fique parado, dance com eles.
Hoje, na sala de dança, me bateu saudades de um tempo que passou. Senti uma vontade enorme de reviver as coisas incríveis que presenciei. Curti aquele momento e fiz a minha escolha. Sacudi a poeira, descalcei os pés e voltei a dançar.