Showing posts with label Críticas. Show all posts
Showing posts with label Críticas. Show all posts

Friday, September 18, 2009

A Cabana

Foi o que li essa semana. Confesso que estava com muita preguiça, mas não resisto à livros ganhados ou emprestados. Com A Cabana não foi diferente.

A história é bem triste e começa com o desaparecimento de Missy, uma garotinha de seis anos, durante um acampamento com a família. Com a evidência de que ela havia sido vítima de um serial killer, o pai entra num profundo deserto assim que encontra o vestido da menina sujo de sangue dentro de uma cabana. O deserto denominado de "A Grande Tristeza", acompanha Mackenzie por anos à fio, até que um convite para retornar ao lugar que marcou a tragédia lhe aparece.

A apresentação do livro deixa claro que se trata de um relato verídico, vivenciado por um amigo do autor. Porém já vi uma entrevista em que o cara fala que se trata de um conto. O fato é que o enredo traz a experiência de Mac ao ter a oportunidade de encontrar Deus (Papai), Jesus e o Espírito Santo (Sarayu) no mesmo lugar em que sua filha foi assassinada. E ali, no meio da dor, a cura emergiu diante do relacionamento pessoal com a Trindade. Relacionamento: essa é a temática do livro.

Na minha opinião não interessa se aquilo aconteceu ou não. Porque as experiências que as pessoas têm não são para ser debatidas. Elas podem ser compartilhadas e cabe a cada um acreditar ou não. Mas para mim fica a essência que o conto transmite.

Pode ser chocante lidar com a forma como o autor apresenta a Trindade, mas ao meu ver isso só acontece porque somos tentados à encaixá-la dentro dos nossos achismos. Eu parei de tentar "achar" algo sobre Deus. Porque na minha opinião Ele é e ponto final. Onde Ele está tudo é diferente. E isso não se discute.

A Cabana fala de relacionamento, de vida, de intimidade, de perdão, de pessoas. E gostei da abordagem a esses assuntos não ser do tipo "auto-ajuda", mas sim de "Alto-ajuda". Porque realmente acredito que sem um relacionamento com Deus (seja da forma que for) é muito difícil lidar com os desertos que invariavelmente invadem a vida sem pedir licença. Mac se resgatou ao enfrentar a origem da "Grande Tristeza" e cada dia me convenço mais do poder que há nesses confrontos (sempre que orquestrados pela mão divina).

Gostei também da forma como as discussões teológicas são tecidas, mesmo que não concorde absolutamente com todas as ideias apresentadas. E a minha visão diante disso é simples. Não é errado ter dúvidas, discordar do que você ouve, questionar as ideias apresentadas por aí a fora. Errado, para mim, é se achar dono da verdade e não se abrir para ouvir um outro lado.
É assim que vejo A Cabana. Não uma fórmula pronta, mas um convite para o diálogo.

Wednesday, April 29, 2009

A Noviça Rebelde (The sound of music)


Sou uma grande fã de musicais e realmente me esforço para assistir quando possível. A primeira vez que fui a um grande teatro para ver uma peça nesse formato tem apenas alguns anos. Mamma Mia estava em cartaz. Eu nem sabia de que se tratava, mas não queria perder a oportunidade. Amor à primeira vista.

Depois de Mamma Mia (que a versão em teatro é infinitamente superior ao filme), vieram duas montagens diferentes de O Fantasma da Ópera, A Bela e a Fera, Miss Saygon e agora em São Paulo A Noviça Rebelde (The sound of music). Todos clássicos, com exceção de Mamma Mia, que com certeza se tornará um.

Dos que assisti o que menos gostei foi A Noviça, que é baseado em na história verídica de uma família austríaca que vive nos tempos da Segunda Guerra Mundial. A produção conta a saga da família Von Trapp, após a chegada da babá Maria, recém saída do convento e sem nenhuma vocação para a vida religiosa.

Nada contra a montagem, que foi perfeita, ou o elenco, que deu conta do recado. Aliás, Kiara Sasso é incrível em papéis de protagonista e a equipe brasileira não deixa nada a dever aos originais estrangeiros. É a história em si que tem um ritmo devagar e músicas pouco empolgantes (a não ser a tema que com certeza você sabe cantar), que se acentuam por serem quase três horas de espetáculo. Não tão atraente para mim, mas tenho certeza que perfeita para as várias senhoras que saíram do Teatro Alfa nas nuvens e que anos atrás tiveram o privilégio de assistir ao filme ainda no cinema.

Aliás, não tem como comparar A Noviça com os outros que assisti. Apesar de seguir o mesmo impecável padrão de qualidade, são propostas diferentes, que atraem públicos diferentes. A não ser “musical freaks” como eu, que vão a todos possíveis.

É claro que A Noviça Rebelde é um belo espetáculo, com um cenário perfeitamente lindo, iluminação afinada, músicos incríveis e uma história clássica, necessária, para se dizer. E é isso que quero ressaltar. Cultura é algo totalmente necessário. E são essas experiências que dão base para a construção de um universo comparativo. Não é preciso se tornar um “bicho cultural”, mas a experiência de respirar cultura erudita, nem que seja uma única vez na vida, é impagável. E é por isso que amei ter ido assistir ao espetáculo, mesmo ainda tendo O Fantasma como meu preferido. E sim, recomendo: não perca a oportunidade dessa temporada e vá ao Teatro Alfa!

Enfim, já assisti a várias óperas e algumas operetas, mas quando se fala em musicais da Broadway é diferente. E eu juro que um dia era lá que eu queria morar.



Tuesday, April 28, 2009

Cris X Bella


A primeira série de livros que li de verdade foi a Série Cris, da Editora Betânia (a Coleção Vagalume e os livros dos Karas do Pedro Bandeira não contam, né). Na época foi o máximo porque algumas pessoas que fizeram as fotos das capas eram meus amigos. Eu devorei cada uma daquelas edições até o último volume. Nem sei quantos anos levaram ao todo. Aí comecei a ler a série seguinte, Selena, ainda no original em inglês, mas não colou. Ainda preferia a Cris, minha heroína adolescente.

Então descobri Deixados para Trás, que também li em uma sentada. Ficava vigiando as livrarias para comprar tão logo o novo volume fosse lançado. E essa série também chegou ao fim. Até tentei Harry Potter por curiosidade, mas depois larguei. Infantil demais.

Há anos não via uma série legal que me interessasse. Foi quando uma amiga falou do Crepúsculo, livro que deu origem ao filme. Descartei de cara, afinal temática de vampiros adolescentes não era uma boa pedida. Mas ela insistiu tanto que peguei emprestado. Sem falar da beleza das capas, o que sempre muito me atrai. Em três dias li os três livros: umas 1.200 páginas.

Afinal de contas, qual é a graça?

Em primeiro lugar a história é muito bem costurada. A narrativa é envolvente, bem escrita, fazendo do enredo fantasioso uma série irresistível. É impossível ler um só (quase igual ao slogan da Elma Chips). Os personagens podem até ser ligeiramente óbvios, mas não são maniqueístas, o que valorizo muito na literatura do gênero. Conflitos e sentimentos humanos como amor, amizade, ciúmes, rejeição, depressão, competição, inveja são bem trabalhados através do triângulo composto por Edward, Bella e Jacob. E definitivamente Bella é a azarada mais sortuda de que já tive notícia. O antagonismo do seu personagem certamente é uma das chaves da história que ainda não chegou ao fim. Mas não, ela definitivamente não é minha nova heroína. Acho que esse lugar pertencerá sempre a Cris.rs.

Após Crepúsculo, Lua nova e Eclipse, fico à espera de Amanhecer, que pretende trazer o desfecho da intrigante história que é desencadeada pelas escolhas simples e cruciais dos personagens. Reais e surreais. Mais humano impossível.

Enquanto isso fico na torcida. Por Jacob, é claro. E por falar nisso, acho que vou assistir ao filme novamente. Após ler o livro definitivamente ele fica mais interessamte.



Thursday, December 4, 2008

Crente?

Acho o crente muito prepotente. Pode ler a frase de novo porque foi exatamente isso que escrevi.

Temos a tendência de achar que só nós possuímos a verdade e que vamos salvar o mundo. O crente não salva ninguém. Quem salva é Jesus. Também existe a inclinação a achar que ninguém é bom o suficiente ou que somos seres superiores. Mas não é bem assim. Já vi muita gente mais honesta do que os que se chamam cristãos. Semana passada, em um almoço de negócios, me vi obrigada a pedir perdão a dois empresários do mercado secular pelo péssimo testemunho que eles vivenciaram com um parceiro cristão. Embaraçados eles me disseram que nunca lidaram com tantas pessoas que tem dificuldade em honrar os compromissos como nesse meio. Constrangida disse a eles o que digo agora: Deus não tem nada a ver com o que pessoas sem caráter fazem. Ele não tem nada a ver com a prepotência do crente.

Em nome dessa prepotência muitas famílias se dividem, porque às vezes o crente acaba se achando melhor dos que os que ainda não conhecem a Jesus, e se recusa a freqüentar aniversários, natais e encontros. Não é a toa que o crente fica com fama de chato e anti-social. É que esse crente se esquece que o Mestre não andava somente entre Seus seguidores. Creio que esse tipo de ser não entende que separação é diferente de segregação. Ser separado, como as pessoas gostam tanto de dizer, não significa se isolar do mundo, mas sim evitar a prática do pecado. Deu para entender como as coisas são diferentes?

É por isso que muitas vezes é embaraçoso dizer que sou crente. Não, não tenho vergonha de declarar minha fé e amor ao meu Deus, mas é constrangedor ser associada a pessoas que nem honram o nome que ostentam. Pelo contrário.

Moral da história, quando me perguntam se freqüento alguma igreja logo respondo: Claro. Sou crente. Mas não sou desse tipo que você está pensando.

Ninguém merece.

Tuesday, November 11, 2008

Muitas coisas

Aconteceram muitas coisas esses dias. Muito trabalho. Muitos compromissos. E o ano tá quase no final. Eu juro que essa semana atualizo o blog.

Mas aproveitando a postagem, quero só dizer o quanto a revista VEJA me matou de raiva esses dias. Saiu uma matéria completamente deturpada sobre o caso de uma adoção que a Zê está envolvida. Matéria mal feita, mal apurada, que a torna mentirosa. Esse tem sido o motivo da minha dor de cabeça da semana. E haja trabalho em cima disso.

Caros jornalistas, aprendam a escrever corretamente. Aprendam também a responsabilidade das suas palavras. Palavras também matam.


Para quem tiver curiosidade, aqui está a matéria.

Já a nossa resposta, assinada pela chefa, está aqui.

Thursday, October 16, 2008

Não sou fã do Tommy Tenney


Eu já tentei ler 3 vezes Caçadores de Deus e outros livros dele em português. Nenhum eu consegui superar até 1/3 do conteúdo. Como assisti a uma pregação há alguns anos e gostei, então comecei a achar que o problema era com os tradutores ou comigo mesma, sei lá. Mas não desisti.

Ano passado comprei Finding Favor with the King, que é sobre Ester (ele até escreveu um romance que virou filme. Em português se chama Conquista de Reis e é fácil achar na Blockbuster). Finding favor não é o romance, mas me interessou pela abordagem. Pensei: "Agora vou gostar!". Comecei semana passada, mas não deu... e dessa vez a culpa não foi dos tradutores.

Tommy Tenney tem umas sacadas bem legais, mas definitivamente não gosto do estilo dele de escrever. Não tenho nada contra quem gosta, mas não aguento literatura repetitiva. Ainda que a idéia seja reforçar o que foi falado, acho um desperdício de espaço, e de tempo do leitor, repetir a mesma coisa trocentas vezes. E é exatamente o que ele faz! Gosto muito dele falando, mas não dá para o encarar escrevendo. Mais um livro que não vou terminar, o que é muito raro.

Será que sou a única pessoa do mundo que não gosta dos livros do Tommy Tenney?

Thursday, September 18, 2008

Abusado

Comprei este livro há cinco anos, durante a noite de lançamento, ainda na faculdade. O autor, Caco Barcellos, estava lá promovendo seu novo registro investigativo-literário. Na empolgação, comprei o lançamento da noite, Abusado, e o anterior, Rota 66. Aproveitei a oportunidade e segui para a fila de autógrafos. Conversei brevemente com ele que, pacientemente, dedicou os dois livros, escrevendo as seguintes palavras:

"Iana, muito obrigado por dar importância ao meu trabalho. Com carinho, Caco Barcellos."

Ao me devolver os livros ele ainda olhou para mim e fez um pedido: "Gostaria de saber sua opinião sobre as histórias. Meu e-mail está aqui". Fiquei meio perplexa. Como assim? Caco Barcellos pedindo opinião a uma aluna de jornalismo que ele nunca viu na vida? E ainda por cima escrevendo o seu e-mail pessoal no meu livro? Saí de lá impressionada com a simpatia dele, mas acabei deixando os livros de lado. Na época as atividades da faculdade não me deram folga e priorizei outras coisas.

Há uns dias atrás peguei uma virose brava e fiquei em casa a semana toda. Resolvi então ressucitar algo que nunca li. Abusado saltou aos meus olhos. E assim me envolvi nessa história.

O livro é resultado de quatro anos de investigação do Caco, um dos melhores jornalistas do ramo no país, sobre uma das maiores mazelas do Brasil: o narcotráfico. O fio que conduz a história é a vida de Marcinho VP, um traficante que se tornou famoso por viabilizar a gravação de um clipe do Michael Jackson na favela Dona Marta. Provavelmente você deve se lembrar disso.

No livro Marcinho é Juliano, um homem ambicioso, fruto de uma comunidade excluída do Rio de Janeiro. Sua vida foi um retrato do paradoxo entre o sonho e pesadelo dos jovens moradores de favelas de todo o país. Ele definiu sua vida como "o lado certo da vida errada". Mas será que a vida errada tem um lado certo?

Para descrever essa história, Caco abriu mão do maniqueísmo existente em muitos contos do gênero, explorando todas as nuances que foram possíveis. Marcinho/Juliano é bom e mau. Ao mesmo tempo em que o jornalista humaniza os "bandidos", como eles mesmos se chamam, ele não deixa de relatar a crueldade dos crimes cometidos. Mas qual seria o crime maior? O tráfico de drogas, a exclusão social, a corrupção da polícia, a injustiça ou os assassinatos de inocentes de ambos os lados? Parece que cada vez fica mais difícil definir esse limiar.

O livro conta como surgiu o Comando Vermelho, como começaram as ondas de sequestro no país, como funciona o esquema das bocas de fumo, como a sociedade das favelas se organiza. Ele conta também como a JOCUM começou um trabalho super interessante na Dona Marta. Confesso que me emocionei a ler o desprendimento do missionário "Kevin Vargas" ao decidir largar sua confortável vida e ir servir em uma favela. Mais legal ainda é ler seu trabalho de evangelismo e socorro em um livro secular. Caco inclusive conta sobre a "adaptação" de alguns "novos convertidos" à nova vida. Sem deixar de praticar seus crimes, alguns incorporaram em seus assassinatos uma breve pregação: "Aceita Jesus como seu salvador?", perguntavam antes da execução. Quando a resposta era afirmativa, eles comemoravam: "Pelo menos morreu com Jesus no coração". Confesso também que me vi diversas vezes em um dilema moral sobre a atuação de "Kevin". Me refugio então num simples pensamento: ele fez mais do que pregar, ele viveu como cristão num lugar onde poucos se atrevem a pisar. Ponto. Fim do dilema.

Abusado é um livro que me incomodou, e que inclusive está sendo difícil deixá-lo. Aliás, vez ou outra me envolvo de tal forma com o que leio que reluto em parar de pensar sobre o assunto. Com Abusado está sendo assim. Como o livro é o retrato de algo real e atual, me vi na internet pesquisando os jornais da época, relembrando os acontecimentos. Marcinho/Juliano foi assassinado dois meses após o lançamento do livro. Uma morte prematura, mas completamente previsível. Previsível não somente porque ele abriu detalhes do Comando Vermelho à um jornalista, que deu notoriedade à ele como personagem e ao assunto; mas porque esse é o destino mais comum dos "donos" dos morros.

A história de Marcinho/Juliano me incomoda também porque ele foi um homem extremamente inteligente, mas que não conseguiu aplicar seu talento "no lado certo da vida certa". Suas boas idéias, intenções, filosofias não deram à ele uma vida digna. Deram sim, notoriedade, que ao mesmo tempo que o conderam, o tiraram do anonimato, de forma que hoje o mundo em que viveu se torna um pouco menos desconhecido. Sua forma de ver a vida também lhe rendeu aproximação à intelectuais, uma prova de que talvez a barreira entre os morros e o asfalto não sejam tão intransponíveis assim.

Ao ler Abusado não vejo apenas Marcinho/Juliano como alguém que foi abusado com a vida e pela vida. Olho o flanelinha, em quem sempre dou o cano, e o vejo da mesma forma. Penso nas pessoas que já tentaram me assaltar, nos porteiros dos prédios, nas domésticas, nos malabaristas das ruas, nos pequenos e grandes bandidos. De uma forma ou de outra, todos abusados. O detalhe é que agora, sempre que olho para um morro, penso não somente nos "Julianos", mas também nos "Kevins". Se existem pessoas envolvidas com a "vida errada", também existem aquelas que se empenham em ver, acreditar e em extrair o melhor do ser humano, independente de onde ele esteja.

Após cinco anos, acho que agora posso mandar um e-mail para o Caco. Mais do que dar importância ao trabalho que ele desempenha, dou importância ao registro histórico que ele bravamente cavou. Espero que ele continue cavando.
Ps: Aí vai o link do clipe They don't care about us do Michael Jackson, que foi gravado no Dona Marta com o esquema de segurança do Marcinho VP. http://www.youtube.com/watch?v=gCqQ2JcQWGs

Tuesday, August 12, 2008

E por falar de delicadeza...


Desde a pré-estréia eu estava louca para ir ao cinema assistir. Em primeiro lugar porque simplesmente amo filme brasileiro (a nova safra, é claro) e gosto de prestigiar a cultura nacional. Demorei um pouco, mas valeu a pena.

Era uma vez é um filme que fala de ingenuidade, delicadeza e brutalidade. Talvez está aí a diferença entre este e outros que usam a pobreza e a desigualdade social como pano de fundo: o tom ingênuo e delicado da narrativa. É a história clássica da princesa e do plebeu, que moram tão perto, mas tão longe. Pessoas deslocadas de sua realidade que se encontram em um universo paralelo, mas que infelizmente não existe. É aí que mora a brutalidade: na impossibilidade de transportar o belo enredo imaginário para a crueza da vida real. A violência aqui não são tiros, sangue, armas ou o drama social vivido pelo Rio. A violência está na distância das realidades, na incompreensão, no preconceito, na arrogância, no problema de caráter do ser humano.

A história é simples: um moço bom do morro que se apaixona pela linda moça rica da zona sul. Sua saga pela conquista é repleta das estratégias de um garoto trabalhador que resulta na rendição inevitável da princesa ao amor pseudo-proibido. Destaques para a direção primorosa, belíssima trilha sonora, figurino impecável, em especial à caracterização de Nina, com vestes de boneca e detalhes de princesa.

Este é basicamente um filme de amor, mas não um amor óbvio. É sim, em primeiro plano, a paixão de um casal, mas que também serve de fio condutor para falar sobre o amor de pai pela filha; de mãe e filho, o amor entre irmãos, o amor pela vida e o amor à honestidade e honra.

Amparados pela pureza e ingenuidade, Dé e Nina, contam uma história tão verídica que dói. E são essas duas características que marcam também as escolhas que traçam o destino do jovem casal.

Saí do cinema impactada, mas com vontade de aplaudir de pé.



Monday, January 7, 2008

Qual foi a última vez que você foi ao teatro?

Todo ano acontece em BH a Campanha de Popularização do Teatro e Dança. Essa é a 34ª edição e é incrível como os espetáculos ficam lotados. Além da divulgação e da diversidade de atrações (quase 100), o preço é fantástico: R$8,00. Só esse final de semana assisti a duas peças: Casais quadrados, camas redondas e Perigo! Mineiros em férias.


A primeira eu e o Fred assistimos logo a estréia no Marista e é bem engraçada. Joana é casada e fiel a Felipe, que é amigo de Oscar, casado com Linda. Oscar pede ao amigo o apartamento emprestado para uma aventura com outra. Sem saber de nada, Linda pede o mesmo a Joana. Sabendo que os patrões estariam fora, a empregada combina com o decorador de também passar a noite no mesmo apartamento. A confusão está armada. O roteiro trabalha os estereótipos: a loira burra, o marido paspalho, o decorador gay, etc. Sendo sincera não aguento mais esse tipo de personagem, mas é tudo tão bem costurado que ri demais. Aliás, até os atores se matavam de rir, ficando difícil retomar as cenas. Muito divertido. Definitivamente recomendo.


Perigo! Mineiros em férias é uma encenação que queria ter visto há tempos por ser um sucesso de público. A história é simples: uma família de BH que vai passar férias na praia (nada mais típico). Porém, o bangalô reservado foi alugado ao mesmo tempo para um casal hippie, e é a partir daí que a trama se desenvolve. Novamente os estereótipos são usados e abusados - mas nada de gays. É bem divertido, porém o teatro Santo Agostinho é péssimo! Também achei longo demais... Mas por R$8,00 vale.


Enfim, teatro é cultura, mas infelizmente poucos desenvolvem o hábito de assistir a peças, o que é uma pena. É maravilhoso ver o enredo ser constuído à sua frente e estabelecer troca com os atores. Eu amo e quero assistir a vários espetáculos dessa campanha. E recomendo mais ainda com um preço tão barato! Afinal, não é toda cidade que proporciona isso para a sociedade. Ponto para BH.

Friday, September 21, 2007

Miss Saigon - Assisti e comentei!




Quem vai ser a Miss Saigon? Essa frase é a pergunta que as prostitutas vietnamitas cantam no bordel e que acaba selando o destino da personagem Kim. A jovem camponesa é retirada de sua família durante a guerra com os Estados Unidos e é então jogada em um prostíbulo pelo cafetão “Engenheiro”. Em sua primeira noite, o encontro com o soldado Chris, muda sua história. Em uma grande loteria, onde jovens mulheres sonham em se ver livres do seu país, através de uma história de amor com algum americano, Kim vê uma saída no fim do túnel.

O musical é na realidade uma crítica ao sonho americano e aos efeitos devastadores da guerra. Enquanto no papel o Vietnã saiu vitorioso, na prática a vitória demorou a ser sentida pelos habitantes. Kim, a protagonista, não conseguiu sair da prostituição, e sua paixão avassaladora pelo soldado americano se tornou um fantasma fatal, materializado com o nascimento de um filho.

O musical é um bom exemplo da capacidade do Brasil em fazer adaptações dos espetáculos consagrados nos grandes teatros nova-iorquinos e ingleses (apesar de que também aposto em montagens tupiniquins próprias). Os atores, cantores e bailarinos desempenham com excelência os seus papéis. É de dar gosto de ver. Destaque para a cantora Lissah, que no passado fez parte do grupo Rouge. Interpretando a protagonista da história, ela se redime, mostrando que é capaz de participar de um espetáculo de grande nível. Mas o show mesmo fica por conta do ator Marcos Tumura, que interpreta o cafetão. Sensacional.

Sinceramente, a música do casal não se compara aos grandes temas como Fantasma da Ópera ou A Bela e a Fera, chegando até ser um pouco chata (achei a letra sofrível), mas a canção American Dream é de tirar o chapéu. Nela, o Engenheiro mostra todo o seu sonho de chegar aos Estados Unidos. Enquanto ele lastima sobre sua situação no oriente e canta seu desejo de ser um yankee, dançarinas no melhor estilo Marilyn Monroe invadem o palco. No fundo projeções da Estátua da Liberdade estilizada são exibidas, ilustrando as facilidades e ilusões do american way of life que ele tanta deseja. Porém, a ironia da música, e a boa interpretação do ator, deixam clara a crítica que ali é feita (juro que ainda quero ver a versão americana desse espetáculo). Certamente essa parte vale a montagem.

Outro momento memorável é quando as tropas são retiradas de Saigon e num jogo de cenografia maravilhoso as grades dançam com os atores no palco uma coreografia perfeita, hora mostrando a embaixada americana, hora enfocando os soldados e por fim o abandono de quem não conseguiu entrar no helicóptero. Uma das partes mais trágicas da história mostra a triste e fatal separação do casal, porém quem realmente chama atenção é o som 5.1 do Teatro Abril e a projeção da aeronave de guerra quase em tamanho real. Simplesmente maravilhoso. Uma boa solução para o problema de colocar um helicóptero no palco, como é feito na Broadway americana.

A separação acontece, a prostituta é abandonada e o soldado retorna ao seu país de origem. O tempo passa e a história caminha até mostrar Chris casado com uma outra mulher, morando nos Estados Unidos, mas sonhando com Kim no Vietnã. Por sua vez, a jovem gerou um filho e se agarra as promessas de que o “marido” voltaria para buscá-los e então terem uma nova vida longe dali, como a fora prometido. Nada mais típico.

Com um difícil desfecho pacífico, a platéia se pergunta: o que fazer? Deveria Chris separar da atual esposa e cumprir a promessa à mulher vietnamita de levá-la para viver na América? Deveria ele pegar o filho e criá-lo como a esposa atual? Sem respostas e sem ter a chance de se encontrar com o amado, Kim decide por ambos. Em vez dos aplausos, o silêncio. Silêncio para o Vietnã hoje, para os filhos de americanos abandonados e para o american dream. Bom espetáculo.



Ah! Uma dúvida minha: a criança que interpreta o filho dos protagonistas pode trabalhar num espetáculo como esse? A censura é 12 anos e o menino deve ter no máximo uns 5. Alguém sabe responder?




Peguei no You Tube dois vídeos. O primeiro é da canção tema do casal. O segundo é a American Dream, a que me referi. Assistam e opinem!








Thursday, September 20, 2007

De volta a BH! E como prometido a minha visão sobre o livro "O Diabo veste Prada"

Sapatos, bolsas, saias, blusas, vestidos e maquiagem. Tudo isso faz parte de um universo comum às mulheres, independente da classe social, idade ou intensidade. Aliando esses itens a marcas poderosíssimas, mulheres belíssimas (e magras) e um mundo de muito glamour, cria-se um poderoso imaginário de perfeição e ideal. Entretanto, o livro e o filme homônimo O Diabo veste Prada abordam um lado interessante dessa dinâmica quase ditatorial: qual a importância desses itens no cotidiano de uma pessoa? Qual o limite de uma aspiração profissional? Duas boas perguntas.

Para quem assistiu ao filme, o livro é bem diferente. Não há nenhuma conspiração para a saída de Miranda Priestly da revista Runaway e o desligamento da heroína é motivado por um acidente quase fatal com sua melhor amiga Lily (que no livro é alcoólatra), enquanto Andrea está na estonteante Paris. Ah! E o final de Andy não é no The New Yorker com o aval e recomendação da ex-chefe, mas sim à caminho do mesmo prédio Elias Clark, em Manhattan, rumo a uma entrevista na revista Buzz. Um final certamente menos glamouroso do que o do longa-metragem, que certamente é mais atraente para um filme que pretende deixar todos com aquele desejo de revanche da chefe má. Entretanto, a essência é a mesma e os questionamentos permanecem.

Como uma boa devoradora de livros, li as quase 500 páginas em uma semana, entre uma parada no trânsito, intervalo do almoço, antes da aula e até na manicure. E recomendo: o livro é realmente bom. Bem escrito e com narrativa agradável e atraente, é daqueles tipos que nem dá vontade de soltar, para ver logo como acaba a história. O problema é que durante a leitura, quando eu menos esperava, me vi completamente influenciada pela neura de Andrea Sachs! Relaxa, Iana. Não há nenhuma Miranda por aqui!

Realmente acredito que para ter reconhecimento, sucesso, entre outras coisas no mundo profissional é preciso de dedicação, esforço e sacrifício. Entretanto, até que ponto? A que preço? E o que se está disposto a sacrificar? No caso da heroína da história, passo a passo, ela foi se modificando até ser confrontada com o seu pior: estava se tornando um reflexo daquilo que repudiava. Claro que visualmente falando a mudança foi, sem dúvidas, bem positiva, mas ela não aconteceu porque esse era um desejo da personagem. Andrea só passou a se vestir com o melhor do mundinho fashion e da alta costura para se adequar àquele meio e se tornar então socialmente aceitável. Tanto, que ao final da história, para se "exorcisar" do um ano de escravidão (e muita humilhação) na revista - como ela mesma denomina, a antiga assistente da mulher mais temida da moda, se livra das roupas, sapatos entre outros "bens" adquiridos durante a experiência vivida. No filme, a boazinha Andy os dá de presente a ex-colega de trabalho "Emily", enquanto no livro ela vende tudo por praticamente U$40.000,00. Fico com a segunda opção!

As minhas pergunta são: Por que existem Mirandas Priestlys que se tornam padrões? Por que esse seria um emprego pelo qual milhares dariam a vida? E por que o que as revistas dizem que é belo se torna moda e a maioria simplesmente aceita? Vivemos em um mundo que dita o perfeito ao lado do efêmero. E ai daquele que não acompanhar.

Em meio a tantas questões, as palavras de ordem continuam sendo: bom senso. Seja ele para chefes, subordinados, ou aspirantes. E no mais, bom trabalho!



Ah! Para quem não assistiu ainda, aí vai o trailer. Uma boa opção para o final de semana.