Wednesday, April 3, 2013

Primeiro de abril


O meu primeiro de abril terminou com várias verdades que eu preferia que fossem mentiras. Caos na saúde, epidemia de dengue, criminosos ateando fogo a ônibus e atirando para o alto como protesto pela morte de um traficante, homem morto ao lado do namorado com um tiro na cabeça por causa de dívidas.

Não queria que as coisas acontecessem e muito menos que eu tivesse que dar essas notícias. Às vezes me perguntam se eu não acho que tem violência e tragédia demais nos jornais. Concordo. Tem sim. Mas não porque temos prazer em exibir esse tipo de conteúdo, mas porque são histórias que precisam ser contadas. Denúncias que precisam ser feitas.

Quando vejo um jovem morto, caído ao chão, penso em como ele chegou até ali. Quais foram as escolhas decisivas, como a vida dele poderia ter sido se os caminhos fossem diferentes. Quando vejo uma UPA nova, sem médicos, abarrotada de pacientes penso onde foram parar os profissionais da saúde que fogem desse atendimento. Eu não vejo apenas fatos. Eu vejo histórias que precisam ser mostradas.

Adoraria só contar casos bons, felizes, mas enquanto este país continuar sendo um lugar que parece viver um eterno Primeiro de abril, fico com a realidade triste, dura, mas que precisa ser mudada por pessoas de verdade. Que se importam de verdade. Que amam de verdade. Brasileiros de verdade.

Ps: Quem quiser ver, as matérias estão aqui:
http://www.alterosa.com.br/html/noticia_interna,id_sessao=7&id_noticia=101335/noticia_interna.shtml
http://www.alterosa.com.br/html/noticia_interna,id_sessao=7&id_noticia=101347/noticia_interna.shtml
http://www.alterosa.com.br/html/noticia_interna,id_sessao=7&id_noticia=101350/noticia_interna.shtml

Monday, April 1, 2013

Um dia de cada vez

Uma das coisas que aprendi desde que me casei é abrir meu apartamento com alegria. E consequentemente o meu coração, o que para mim acaba sendo a mesma coisa. Me descobri uma dona de casa bem razoável, mas percebi em um mim um gosto enorme para receber. 

Nestes últimos anos me escancarei para pessoas novas e assim chegaram a mim queridos e queridas que considero dádivas. Mas confesso que também me decepcionei. Porque por mais que a gente diga que não, quem dá também espera receber de alguma forma. E nem sempre isso acontece. Muito menos na mesma medida. Na mesma dose.  

Recentemente fiquei chateada por não sentir reciprocidade de alguns amigos. Por isso falei com meu marido que mudaria a minha postura. Que me doaria menos. A resposta dele? “Impossível, Iana. Você é assim. Mude isso e você não será a mesma”. E é verdade... Quando gosto, quando me importo, quando amo, não meço esforços. Eu me dou. É inconsciente. É mais forte que eu. 

Esses dias ouvi uma música do Asaph Borba que diz ser possível dar sem amar, mas é impossível amar sem dar. E essa segunda frase me ajudou a me entender melhor. A me aceitar e a parar de brigar com algo que faz parte da minha essência. E fiquei pensando nas pessoas que já me amaram, se doaram por mim, e que eu sem perceber não correspondi na mesma intensidade. Ou do jeito esperado. E isso me fez pensar. 

Não podemos exigir nada de ninguém. É difícil controlar nossas expectativas e impossível controlar as reações das outras pessoas. Mas a gente decide como agir e reagir. Escolhi amar e continuar servindo do meu jeito, independente de qualquer coisa. Faço por mim. Porque isso me dá alegria, porque faz parte da minha essência, porque tenho prazer. Decidi tentar controlar meu coração para que as decepções não mudem o que sou. Não sei como fazer isso ainda, mas começo me esforçando para não me fechar. Não afastando as pessoas que me desapontaram e dizendo a mim mesma para manter o meu coração aberto. E é com esse pensamento que recomeço a postar aqui, convicta de que mudanças se consolidam um dia de cada vez. 

Monday, March 18, 2013

Hora de soprar....

... bem forte a poeira. Para longe.

Hoje me lembrei desse espaço e me deu saudades. Resolvi voltar a escrever. Hora de recomeçar.

Friday, April 13, 2012

Quando o luto acaba


Sei exatamente onde eu estava há um ano. Era uma quarta feira a tarde e eu aguardava na frente de um presídio a soltura de um jovem que tinha sido preso por engano. Como o procedimento é demorado comecei a checar o Twitter. Até que uma mensagem me tirou o chão: o Dinho tinha falecido num acidente de carro. 
Alexander Borges, conhecido como Dinho, era casado com uma amiga de infância, a Nanda. Eles tinham dois filham e formavam uma família linda. A Nanda sempre foi super divertida e o Dinho era um cara muito legal, daqueles de quem é fácil gostar. Ao confirmar pelo telefone a notícia, larguei o trabalho e fui correndo encontrar com meus amados amigos, que para mim são como uma família.
Essa é uma hora que você não tem muito o que fazer. Então simplesmente fiquei lá, abraçando, chorando junto, orando, ajudando a fazer lanche para os meninos, e até lavando a louça. Vendo a dor dos meus queridos eu só pensava: como vai ser agora? Como a Nanda e os meninos vão ficar?
O velório do Dinho foi um dos mais lindos e mais tristes que já fui. Triste porque nunca estamos prontos para lidar com a morte. Ainda mais quando se é jovem, cheio de vida, tem uma esposa e dois filhos para criar. Mas foi lindo porque a presença de Deus estava ali. Nunca fui a um funeral tão cheio. Cheio de tudo: de gente, de carinho, de amor, de saudade. Mesmo sem entender a Nanda adorou a Deus, agradeceu ao Senhor pelo tempo que teve com o marido e liberou o perdão ao caminhoneiro que o matou. Um atitude que muita gente não entende, mas que faz toda diferença na vida que segue.
Uns dias antes do enterro separamos algumas fotos da família, com todos juntos e felizes, para espalharmos pelo lugar do velório. Uma forma de lembrar os anos bonitos que o Dinho viveu com os amigos e a família. Retratos de uma vida feliz.
Naquele dia olhei para a Nanda, para o Nick e para Lu e tive a certeza de que eles dariam  conta do recado. Que eles dançariam sobre toda dor. Que um dia a gratidão seria maior que o luto.
E assim tem sido. Passado um ano a vida é bem diferente. A saudade que eles sentem não some, mas vemos a Nanda e os meninos lutando, sobrevivendo e reaprendendo o caminho da felicidade.
Há uns meses ela me ligou me perguntando se eu poderia fazer umas fotos dela para um projeto. Meu coração se aqueceu e propus com alegria uma sessão junto com os meninos. Retratos da nova família que tive o prazer de registrar. As fotos que seguem são desse dia. Fomos ao condomínio onde eles compraram um lote e planejavam construir uma casa para morar. Ali, onde a ausência ainda doía, celebramos a vida.
A morte tem o peso que damos a ela. A notícia de um falecimento sempre vai ser recebida de um jeito difícil, dolorido, carregada de tristeza. Só que com a ajuda do Alto o peso da dor se vai à medida que, de mansinho, a leveza das boas lembranças fica. E a paz que excede à todo entendimento substitui o buraco deixado por quem partiu.
Querida Nanda, que bom saber que o luto vai dizendo adeus. Que a sua vida e a dos meninos seja regada de alegria, sorrisos, dança e de belas recordações.
Amo muito vocês.








Thursday, January 12, 2012

Cristo x Religião

Amei esse vídeo e não podia deixar de compartilhar. É um poema que fala porque amo a Cristo e não a religião.  É bem o que eu penso.

Está todo em inglês, ok?



Monday, January 9, 2012

2011


Gosto de falar do ano que se foi. E também sobre o que espero dos dias que virão. 2011 foi um ano de muito trabalho. De dar duro. De consolidar decisões e solidificar caminhos. 2011 foi um de muito fazer. De muita ação e pouco descanso. Acho que nunca trabalhei tanto... E se o trabalho dignifica o homem, me despedi de 2011 com muita dignidade. Dei as boas vindas a 2012 de dentro do caminhão de transmissão ao vivo, narrando o belíssimo show de fogos da TV Alterosa/SBT Minas. 
Como não podia deixar de ser, o ano que passou também me trouxe mudanças. E foi bom mudar novamente. Já aprendi que monotonia não é para mim. E assim me abri para o novo (de novo) sem medo. Sem receio de errar.

Sigo com o aprendizado de 365 dias incríveis. Um ano que parece ter durado uns três! Tamanha intensidade... Tenho orgulho dos dias que escrevi... porque foram bonitos, honestos, éticos, sinceros. 2011 foi um ano de muita verdade. Me desafiei. Perdi para mim mesma e me encontrei depois. Confrontei meus erros diários. E de frente com o que não foi bom tive a chance de me redimir para mim mesma. Descobri que sou a minha maior carrasca. Em 2011 me perdoei e me dei novas chances. Vivi um ano concreto. Contando as histórias das pessoas, aprendi sobre mim. Me conheço mais. Me amo mais. Me respeito mais. 
Entro neste novo ano bem cansada. Minhas olheiras estão fundas... minhas costas às vezes doem... meus pés meio doloridos...  às vezes acho que estou perto da exaustão. Mas é um cansaço bom. É porque ele vem acompanhado do sentimento de realização. E com ele, muito riso. Sorrisos. Gargalhadas. 
2012 começou me parecendo uma extensão do ano que mal acabou, e já me trouxe presentes incríveis. Não sei como serão os meses que virão e nem quero revelações. Quero ir devagarzinho descobrindo aos poucos as 366 dádivas diárias. Espero um ano inteiro, cheio, redondo, com todas emoções que me aguardam. E que elas sejam verdadeiras, lindas, intensas e inesquecíveis.
Aos queridos que me lêem, feliz ano novo!  

Wednesday, December 14, 2011

Sobre cores

Tem gente que vive num mundo de tons pastéis. Eu não. Meu universo é vibrante. Intenso. Em mim mora a reunião de cores fortes em uma palheta absurdamente viva.

Não tenho tempo para monotonia. Eu gosto é de cor.

Friday, October 28, 2011

Ganhei um beijo do ítalo

No meio do shopping. Um beijo lindo. Carinhoso. Espontâneo.

Conheci Ítalo na fila do McDonald's. Ao espiá-lo conversando com a irmã vi o quanto era especial. Tomei iniciativa. Puxei papo. E vi a timidez nos olhos do rapaz se afastar lentamente. Com a aprovação dos pais fiz perguntas sobre a vida e vi que não é a síndrome de down que faz o menino de 11 anos ser excepcional. O que o faz ser assim é a educação e o amor que recebe dos que estão ao redor.

Em uma conversa rápida Ítalo me contou da escola onde estuda e quando perguntei se ele tinha muitos amigos, ouvi: "Tenho colegas. Amigos são diferentes de colegas". Palavras de sabedoria. Meu pedido chegou, me despedi com um abraço gostoso, apertado, e fui para a mesa onde minhas irmãs me aguardavam. Pouco depois, com a família, Ítalo passou por mim, acenou e se foi.  Bastou eu voltar meu olhar para minhas irmãs que fui absolutamente surpreendida por um beijo vindo de trás. Um beijo cheio de carinho. Na mesma velocidade que Ítalo chegou, ele saiu. Correndo. Com um sorriso lindo, largo e uma expressão deliciosa de quem fez uma travessura e fugiu. Eu também sorri. Meu coração sorriu. E então chorei.

Foi o beijo de um menino de 11 anos que me deixou sem palavras, sem chão e impressionada em como segundos de gentileza podem fazer um dia mais feliz...  


Friday, October 21, 2011

Núbia foi encontrada

Núbia foi encontrada. Não do jeito que todos esperavam... O corpo da universitária foi identificado no IML pelas radiografias e os familiares reconheceram peças de roupas. Ainda não existem muitos detalhes da morte, mas fica aquela sensação de tristeza e de alívio. A gente nunca espera a morte, mas ver a que a história teve um desfecho é algo digno. Agora é acompanhar as investigações e torcer para que justiça seja feita. Mas sinceramente, o que eu queria era dar um abraço na dona Jutelma... Que Jesus cuide do coração de toda família.

Tuesday, October 4, 2011

Matéria: Os últimos passos de Núbia

Núbia falou com a mãe um dia antes. Disse que faria uma entrevista de emprego pela manhã. A tarde iria ao dentista e que ligaria para contar as novidades. A estudante nunca ligou de volta. Quatro dias depois a mãe relatou o desaparecimento da jovem a polícia.

Essa foi a história da matéria que fiz e que está neste link. http://www.alterosa.com.br/html/noticia_interna,id_sessao=7&id_noticia=62122/noticia_interna.shtml

Ao gravar essa entrevista com a dona Jutelma meu coração ficou apertado. Ver o olhar vazio para as coisas da filha. A esperança da jovem reaparecer. E o pouco conhecimento sobre a rotina de Núbia. A mãe sofre... Não tira os olhos da porta, não sai de perto do celular. O medo de receber uma má notícia... ao lado da fé de que tudo vai dar certo.

Quando me despedi, com um abraço apertado (e o coração mais ainda), ela me falou as seguintes palavras: "Você vai trazer minha menina de volta para casa?". Respirei fundo, olhei dentro dos olhos sofridos, e respondi que adoraria ver a Núbia aparecer por causa da matéria...

Na ausência de notícias esperamos. Enquanto oro para que o sonho de dona Jutelma se realize. Tomara.

Thursday, September 1, 2011

Querida Aline - resposta a um comentário

Uma pessoa que eu não conheço comentou aqui no blog. E como a resposta é longa, virou um post. Me fez lembrar de um tempo não tão bom da minha vida, mas que foi essencial para eu ser a Iana Coimbra de hoje.

Querida Aline,

Com 20 anos eu entrei numa fase estranha. Fazia faculdade de jornalismo, trabalhava em uma ONG que eu amava, recebia um salário bacana para a época, namorava, tinha grandes amigos e tinha um relacionamento bacana com Deus. Era tudo o que eu tinha planejado no final do ensino médio. Estava acontecendo!

Mas me lembro que de repente acordar ficou pesado. Sair da cama extremamente difícil. Trabalhar ficou automático. Ir para a aula um suplício. Não tinha motivos. Nada aparente. Mas a vida me doía. Queria dormir. Só dormir. Lembro de uma conversa com uma das minhas irmãs e eu disse a ela que apenas sobrevivia. No meio desse período eu tinha momentos bem alegres, mas a minha rotina era morta. Minha alegria virou apatia. Não tenho muitas recordações daqueles meses, porque no fundo eu virei um zumbi. A sensação era de que eu nunca chegaria a lugar nenhum. De que a adolescente que era uma promessa, sumiu.

Hoje a vida é outra. Mudei minha postura diante das coisas. E sem perceber o meu mundo acompanhou... Mudei de emprego. Dei um tempo no namoro. Desisti de ser um prodígio. Me impus leveza. E o que era pesado fui deixando para trás. Convicções que me prendiam, me escravizavam e eu nem sabia. Eu queria dominar o mundo. Aí decidi começar dominando a mim mesma. Tirei o peso de "ter que ser feliz", "ter que ter sucesso", "encontrar o amor da minha vida"... e todas essas coisas que quando temos vinte e poucos, ou vinte e tantos, nos escravizam. Escolhi a liberdade. Parei de escrever metas, alvos, ou qualquer coisa que pudesse me causar frustração. Entendi que eu era jovem e parei de tentar ser mais do que eu tinha condições de ser.

Nesse período turbulento eu amadureci. Na marra. Na pancada. Tem gente que quando passa por essas situações chuta o balde geral. Eu não podia. Não suportava a ideia de abandonar a faculdade... Lembro que minha mãe me disse que se eu quisesse podia parar de trabalhar que a gente dava um jeito, que eu tinha pai e mãe. Mas eu não me sentia no direito de pedir a eles que me bancassem. Não era justo. E segurei a onda (que para mim mais parecia um tsunami). Mudei meu relacionamento com Deus. Resolvi jogar limpo, ser franca, honesta. Entendi que ele não queria a "Iana Perfeita". Ele queria a Iana e ponto final. Do jeito que fosse. Desisti de brigar. Entreguei o caos e Ele deu conta do recado.

Anos depois li um livro que falava sobre a "Crise dos 25 anos" e entendi que eu vivi isso (e cá entre nós, revivi num surto enlouquecido há uns cinco anos, mas de outro jeito. História que pode ficar para um outro post). Esse mundo louco faz com que a gente queira sempre mais, quando às vezes precisamos é de menos.

Tirei a frase "para sempre" da minha vida. Por que ela escraviza. A substituí por "hoje". Por exemplo, eu não queria pensar que estava com o meu namorado "para sempre". Isso me dava pânico. Decidi que queria fazer aquele relacionamento funcionar "hoje". Desisti de lutar para ser a melhor executiva de marketing (área que eu trabalhava na época) de todos os tempos. Escolhi batalhar para ser a melhor profissional "hoje". Comecei a viver um dia de cada vez. Busquei descobrir o que me fazia feliz. Lutei para reencontrar minha espontaneidade. Reconstruí a minha vida com base nessas descobertas. E acho que deu certo. Nem sei se as pessoas imaginavam que em mim o mundo se despedaçava. Talvez algumas até se surpreendam com esse post, porque eu vivi essa loucura comigo mesma. Mas o tempo passou... eu cresci... minha perspectiva mudou... Me reencontrei.

Lembro que quando terminei meu namoro eu pensava que tinha desperdiçado todos aqueles anos. Com o tempo aprendi a pensar diferente. Os aproveitei bastante, mas de outra forma. Acompanhada. E aquelas experiências me fizeram chegar onde cheguei. Não se coloque esse fardo de ter namorado alguém muito tempo e não ter dado certo. É um peso difícil de carregar, que não levará a lugar nenhum e prejudicará a história que você vive hoje. Aceite o seu passado, não brigue com ele. Mas aprenda com o que se foi. E deixe ir.... E aos pouquinhos essa mochila pesada se vai...

Te desejo uma vida plena. Mas te aviso: precisamos desses vales para entender o que é estar nas alturas. Faz parte da construção da identidade do ser humano. O caos pode nos fazer pessoas melhores. E o abafamento das tribulações nos ensinam a voar com a leveza que uma hora virá.

Grande beijo,
Iana Coimbra

Wednesday, August 24, 2011

28

Dia 21 foi dia de fazer 28. 28, quase 30. A sensação? Leveza. Junto com felicidade, realização, contentamento, muita gratidão. E tudo misturado com amor pela vida, pelo meu marido, pelas nossas conquistas, pelos amigos, pela família, pelos dias vividos e pelos que virão.

Dia 21 foi também dia de fazer balanço e o saldo, tão positivo, me faz sorrir. Com amigas queridas revi as fotos dos meus 18 e é bom dizer que os anos me fizeram bem. Caminhei muito, mais do que supunha. Voei alto, com ajuda do Alto. E do alto dos meus "vinte e tantos" me sinto absurdamente feliz pelo mundo que construí. Um mundo bem bonito e cheio de cor. E se naquela festa 10 anos atrás alguém me contasse como seria minha vida hoje, juro que não acreditaria... É que é bom demais para ser verdade....

E ainda tem gente que não gosta de fazer aniversário...

Thursday, July 21, 2011

Ser repórter

Tenho me dedicado a trabalhar e contar histórias. Muitas. Cada uma de um jeito. Bonitas. Tristes. Revoltantes. Curiosas.


Primeiro ouço. Atentamente. Daí filtro o que é o mais importante. Já chorei no meio de entrevistas. Já dei gargalhadas. Já me coloquei no lugar das pessoas e também aprendi a me distanciar. Não tenho fórmulas. Cada dia é um dia. Cada história é uma história. E eu, sou uma Iana só. Tentando me reiventar.


Sempre volto para casa com muitos casos. De todos os jeitos. De barracos homéricos à tragédias difíceis de digerir. De denúncias de descaso público à problemas familiares. Lido com a educação e a falta dela diariamente. Com pessoas que nos olham com confiança e outras como se fôssemos ETs. E assim busco contar o que acontece mundo a fora. Tento transmitir o que observo de um jeito diferente. Me esforço para trazer a verdade, a emoção, o coração. Porque é disso que as pessoas são feitas.


Ser jornalista, especialmente ser repórter, é saber contar histórias. É buscar os dois lados da moeda, seja o caso que for. É encontrar a novidade no meio do óbvio e estar sempre em busca de algo mais. É ser um pouco idealista, ainda que isso canse, e ter a convicção de que uma matéria bem feita pode fazer diferença na sociedade. E como é bom quando isso realmente acontece.


Conto muitas histórias e elas ajudam a contar a minha também. Sinto falta do meu tempo, mas minha vida se torna mais rica a cada novo personagem que encontro. É quando respiro fundo, tento driblar o meu cansaço e corro para a próxima pauta e para a próxima história que terei o prazer de contar.

Wednesday, July 20, 2011

Sempre

Quando sinto que está faltando poesia na minha vida, me lembro do blog. Bem, deste quase finado blog. Porque todas as vezes que eu percebia o menor fragmento de desejo de escrever, eu corria para cá. Coisas pequenas, grandes, bonitas ou irrelevantes. Qualquer fragmento de inspiração.

Hoje senti saudades disso. Do tempo em que podia me debruçar diante do computador e me dedicar aos meus devaneios. Bem, ainda posso, mas a velha história da falta de tempo me pegou. Em cheio. Ao mesmo tempo a vida mudou tanto. Gosto de vir ao blog e ler a Iana que escreveu por aqui. Uma Iana bem diferente da de hoje, mas que construiu uma história bem bonita. É que a realidade pode nos fazer pessoas mais secas, mais frias... não que eu tenha virado "isso". Mas creio que o mundo que hoje vejo me fez preservar meu "calor" num lugar mais restrito. Se antes me abria, hoje quase me fecho. Se antes via poesia, hoje vejo fatos. Ganho por um lado, perco do outro.

Mas o que eu queria mesmo dizer, é que quero voltar a fazer o que sempre amei. Escrever. Pelo prazer de compartilhar minhas linhas e permitir que as pessoas as comentem. Sem pressão. Pela graça. Pelo prazer. Escrever para pensar, para me expandir. Acho que preciso voltar a crescer.

Thursday, March 24, 2011

Para minha querida companheira

Relacionamentos diários não são fáceis. Nem todos os dias são felizes. Nem sempre os humores coincidem. O ser humano pode ser cruel. Há quem curta a competição e acredite que os efeitos positivos são maiores que os nocivos. E assim a vida caminha. Num ritmo de momentos alegres e nem tão bons assim.


Na convivência é difícil usar máscaras. E as faces bonitas e feias de cada um ficam visíveis. Às vezes até demais. Confesso que já senti inveja. Que já senti raiva e frustração. Porque relacionamentos reais são assim. E felizes são as pessoas que sabem reconhecer. Feliz é quem não tem medo de ser gente. De assumir o lado feio que todo mundo tem, mas que é mais confortável fazer de conta que não existe. Feliz é quem se confronta e sabe que errou. Sábio é quem não tem medo de pedir perdão.


Uma vez ouvi que o importante é como termina. E hoje essa frase ecoou nos meus ouvidos. Quero terminar bem. Como quem sabe reconhecer que a parte boa é sempre e infinitamente maior. Talvez tenha faltado a coragem de ser mais verdadeira. De ser menos política e mais honesta. De calar a picuinha e ser grande. De ser mais generosa.


Bom saber que podemos crescer e mudar. E para isso basta escolher.


Querida companheira, te vejo partir com o mesmo orgulho de quem te viu chegar. Você completou uma bela jornada. Com seus altos e baixos alcançou a redenção. E como boa observadora contemplo o seu novo caminho. Na lembrança ficam a risada, as histórias. Muitas idas, muitas vindas e um carinho sem fim. Você tentou e cuidou do mundo, mas o relógio andou. Agora é a hora de construir e protagonizar a sua própria história. E creio que cenas lindas virão. Imagens vivas e cheias de cor. Sem tons pasteis, mas com cores bem vibrantes e repletas de vida.


É o que desejo de todo meu coração. See you later!

Friday, December 31, 2010

2010

Foi um ano muito bonito. Daqueles que a gente se lembra para sempre.


Planejei muito o ano que acaba hoje. O ano do meu casamento. O ano que minha vida profissional seguiu outro rumo. O ano que me preparei para aventuras diferentes. Mas 2010 me surpreendeu e mudou tudo. Tudo mesmo. Mudou meu estado civil. Meu endereço. Meu cabelo. Meu trabalho. Meus planos. Minhas perspectivas. Minhas prioridades. Me mudou.


Sonhei com um 2010 pleno. E ele veio. Com uma incrível força. Sem medo. Sem tempo. Sem pudor. Totalmente avassalador.


Em 2010 me casei com o meu amor para a vida toda. E com a maravilhosa vida a dois espantei meus temores. Vi que é possível dar conta do recado. Ter prazer na responsabilidade e fazer cada dia ser único. E como é bom chegar em casa. Construí um lar legal de se viver, para onde amo voltar ao fim de cada dia. Virei dona do meu nariz. Do meu pedaço. E de muitas novas contas. E como é bom ter uma boa companhia para tudo isso.


Em 2010 contei histórias. Muitas. Falei de coisas bonitas e de outras não tão belas. Falei de Bruno, de Alemão, de degola, mas falei também de solidariedade. E a vi acontecer. Cada história mudou o meu olhar diante da vida. E com isso, meu universo cresceu. Aprendi a ver mais longe. Inclusive o que nem queria ver.


2010 me trouxe amigos. Pessoas preciosas que sempre fazem a jornada mais leve. E me levou para ainda mais perto dos preciosos com quem há anos caminho lado a lado.


Em 2010 também vi a mão de Deus. De forma imediata. Rápida. Poderosa. Misericordiosa. Amável. O senti perto. Na medida exata das minhas necessidades. E com tanta graça fiquei maravilhada diante de tamanho amor.


Jamais poderia imaginar que seria um ano tão bom... De tanto aprendizado. De tantas conquistas. De tanta alegria. De muita felicidade.


2011 chega e com ele 365 dias para fazer valer. As horas já estão contadas e não adianta falar depois que ele passou rápido demais, que não deu tempo. Porque tempo é a gente quem faz. E a contagem regressiva já começou.


Feliz 2011.

Saturday, December 4, 2010

Rio de Janeiro - Parte 2

Acordamos cedo e fomos para o SBT. A ideia era nos apresentar para a redação local, afinal éramos uma equipe mineira em terras cariocas. Apresentação feita, seguimos para a Vila Cruzeiro. Já no carro, poucos quarteirões à frente vimos uma grande movimentação da polícia. Sem saber o que era paramos e saímos corremos. No melhor estilo: “filme primeiro, pergunte depois”. Rodrigão e eu fomos os primeiros a chegar ao local. Ali encerrava uma perseguição. Os suspeitos tentaram atear fogo em um caminhão que tinha três pessoas dormindo dentro, mas os policiais conseguiram impedir. Houve troca de tiros. A confusão terminou com um fugitivo, um preso e um ferido (que no final acabou falecendo).


Eu nunca tinha visto sangue daquela forma, no chão. E nós mal tínhamos chegado ao Rio. Entrevistei os policiais, os caras que conseguiram sair vivos do caminhão, as pessoas ao redor, e o Rodrigão registrou cada detalhe. Inclusive quando os policiais tiraram do carro uma garrafa com gasolina, uma arma e os documentos dos suspeitos. Quando estávamos terminando o trabalho vimos as outras equipes chegar. Só quem é jornalista sabe o prazer de ser o primeiro.


Voltamos ao carro e seguimos. Começou assim nossa jornada no Rio de Janeiro.

Friday, December 3, 2010

Rio de Janeiro - Parte 1

No meu primeiro ano de faculdade eu ainda estava muito envolvida com as simulações da ONU. Era meu terceiro ano como delegada (participei dos primeiros Mini-ONU, de um AMUN e de um Harvard World MUN) e ainda sofria por ter passado no vestibular em Jornalismo e não em Relações Internacionais. Sempre quis mudar o mundo e as simulações, que aprendi a amar, me proporcionavam o gostinho disso, mesmo que de brincadeirinha.


Quando optei por encarar o Jornalismo continuei com uma beiradinha do meu coração inclinada para RI. Decidi então que meu trabalho de conclusão de curso seria a cobertura jornalística de conflitos armados. A forma perfeita de continuar estudando os problemas mundiais aliados à minha realidade. Mas o tempo passou e minha vida seguiu um caminho diferente. Até semana passada.


Na última quinta feira de novembro fui enviada pela direção do TV Verdade para cobrir a guerra no Rio de Janeiro. Enquanto o Carlini falava da minha missão, observei, pela TV que havia na sala, imagens dos traficantes fugindo da Vila Cruzeiro para o Complexo Alemão. Respirei fundo e aceitei (com muito frio na barriga) a tarefa.


Na primeira manhã no Rio me lembrei do antigo desejo de estudar sobre jornalistas no front. Foi quando me dei conta de que nunca escrevi nenhuma linha sobre o assunto, mas naquele dia viveria toda essa experiência. Não como estudante, mas como repórter. Não atrás de uma televisão, mas de corpo e alma no local do conflito. E assim foi.


Ainda não posso mudar o mundo, mas já consigo compartilhar o meu olhar. Posso ser ouvida, vista e convidar pessoas para compreenderem comigo este universo tão louco. E isso me dá uma grande sensação de missão cumprida.

Saturday, August 21, 2010

27

É hoje.

E como é bom contemplar o caminho que me trouxe até aqui. Palavra do dia: contentamento.

E a todos que lembraram, escreveram, pensaram, me abraçaram, beijaram e demonstraram afeto, meu muito obrigada!


Monday, August 16, 2010

Diante do Trono

Sempre amei o Diante do Trono. Foi ali que cresci de todas as formas possíveis. Aprendi o que é responsabilidade, o que é ministério, o que é compromisso. Ali aprendi também a ser profissional. Trabalhei no DT por quase seis anos, e tive a oportunidade de colocar na prática o que estudei na faculdade, no MBA, nos livros e cursos que fiz. Me dei por inteira, e quem já me observou nos eventos sabe bem o que isso significa.


No período em que trabalhei no DT também aprendi o que é ter e ser um chefe inspirador. Lá tive grandes referenciais. O Sérgio e a Ana acreditaram em mim quando eu tinha acabado de completar 20 anos. Eles apostaram na profissional que eu poderia ser e entregaram nas minhas mãos funções importantes e desafiadoras, às quais me dediquei com tudo. Jamais me esquecerei das conversas com o Sérgio, e das inúmeras vezes em que saí da sala dele chorando. Choro de desabafo, de alívio, de alegria, de emoção, de admiração. Admiro o Sérgio Gomes maestro, o diretor executivo, mas mais ainda o amigo que sempre encontrei na sala do terceiro andar. Ali recebi repreensões e congratulações, correções e direção, sempre acompanhados de sorrisos, abraços e diálogos sensacionais. O Sérgio sabia como me inspirar. E acho que ele sempre acreditou mais em mim do que eu mesma... Como sempre disse em nossas conversas, quando crescer quero ser igual a ele.


Trabalhar no DT, como em qualquer outra empresa, teve suas dores e cores, mas definitivamente foi um tempo precioso demais. Uma fase de aprender na marra. Um período que sempre terá para mim um sabor de saudades.


E foi aos 26 anos que me desliguei profissionalmente da empresa. Foi um marco na minha jornada. Continuo apoiando o Diante do Trono, mas agora tentando encontrar tempo no meio do meu novo exercício profissional. Voltei a ser aquilo para que me formei: jornalista.


Minha vida profissional vai muito bem, obrigada, e hoje aprendo que ministério integral não significa trabalhar no universo cristão. Ministério integral é quem você é no dia a dia, seja na empresa que for. É viver com uma postura de honestidade, transparência, verdade. Até porque existem pessoas que trabalham no mercado cristão e te garanto que não vivem nada disso. É ser um cristão 24 horas, independente se o objeto de trabalho é política, finanças, educação ou entretenimento. E assim, sendo quem você é, fazer o Reino crescer.


E é com essa convicção que acordo todas as manhãs para realizar um trabalho que não está “dentro do Reino”, mas para onde o levo comigo, do jeito mais simples que existe: vivendo.